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Após caso de hemorragia na Montezum, do Hopi Hari, neurocirurgião explica riscos da atração

Caso de jovem que sofreu hemorragia intracraniana após o passeio chama atenção para os efeitos de acelerações, freadas e movimentos bruscos sobre o cérebro

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PorInsights|Há 4 semanas
Atualizado em: 22 de setembro de 2026 às 17:41
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Após caso de hemorragia na Montezum, do Hopi Hari, neurocirurgião explica riscos da atração

Imagem ilustrativa

Foto: Divulgação

Uma pancada direta na cabeça não é a única forma de provocar uma lesão cerebral. Em atrações como montanhas-russas, acelerações, desacelerações e mudanças bruscas de direção podem fazer com que o cérebro se movimente dentro do crânio e, em determinadas situações, provocar lesões e até hemorragias.

O assunto ganhou repercussão após o caso de Júlia Bossoni, de 28 anos, que sofreu uma hemorragia intracraniana depois de andar na Montezum, uma das principais atrações do Hopi Hari. O caso foi exibido pelo Fantástico no último domingo (20) e levantou dúvidas sobre como movimentos desse tipo podem afetar o cérebro, mesmo sem uma pancada direta na cabeça.

Segundo o neurocirurgião Márcio Rassi, o cérebro não fica fixado à estrutura óssea do crânio. O órgão é envolvido pelo líquido cefalorraquidiano, o líquor, e permanece em uma condição que permite certo deslocamento dentro da caixa craniana. Quando a cabeça é submetida a movimentos rápidos e intensos, portanto, o cérebro também pode acompanhar esse deslocamento, criando forças sobre diferentes estruturas.

É nesse contexto que entram as acelerações, freadas e mudanças repentinas de direção de uma montanha-russa. A força aplicada ao corpo acaba sendo transmitida para a cabeça e para a região cervical, podendo aumentar a sobrecarga sobre músculos, ligamentos e estruturas da coluna, como os discos intervertebrais. No cérebro, principalmente os movimentos de aceleração e rotação podem fazer com que o órgão se desloque em relação ao crânio.

Esse movimento pode estirar fibras nervosas e estruturas vasculares e, dependendo da intensidade e das condições envolvidas, provocar sangramentos. “Então a gente pode ter pequenas hemorragias intracerebrais e até mesmo lesão de vasos cerebrais e cervicais devido a esses movimentos bruscos”, afirma Rassi.

Jovens também estão sujeitos

Embora situações graves sejam menos frequentes, pessoas saudáveis também podem sofrer lesões em atividades que envolvem movimentos bruscos. Segundo Rassi, alguns grupos podem apresentar riscos adicionais, como pessoas idosas, que podem ter atrofia cerebral, e pacientes que utilizam medicamentos anticoagulantes, que aumentam a possibilidade de sangramentos.

Isso não significa, porém, que pessoas jovens estejam completamente protegidas. A intensidade dos movimentos e a forma como o corpo e a cabeça são submetidos às forças da atração também podem influenciar na ocorrência de uma lesão.

Quando procurar atendimento?

Depois de andar em uma montanha-russa, é possível apresentar náusea, susto ou euforia por causa da própria experiência e da descarga de adrenalina. O que merece atenção são sintomas que persistem, pioram ou fogem do que seria esperado após o passeio.

Dor de cabeça intensa ou progressiva, vômitos, desmaio, sonolência excessiva, confusão mental e convulsões são sinais de alerta. A orientação também vale para qualquer sintoma inédito que não esteja melhorando:

“Qualquer outro sintoma que seja inédito e que não esteja melhorando, que não possa ser atribuído só àquela emoção depois do passeio, o indivíduo deve, sim, procurar um atendimento médico para verificar se não há uma situação mais grave acontecendo”, orienta Rassi.

Cuidados

Para quem pretende utilizar uma montanha-russa, os cuidados começam antes mesmo do embarque. É importante seguir as regras da atração, respeitar os limites estabelecidos pelo parque e utilizar corretamente o sistema de segurança durante todo o percurso.

Também é necessário observar as restrições para pessoas com determinadas condições de saúde e manter braços e mãos dentro do brinquedo. Embora essas medidas não eliminem completamente a possibilidade de uma lesão, elas ajudam a reduzir os riscos relacionados à atração, explica o neurocirurgião.

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