Insights
Saúde

Especialista esclarece cinco mitos sobre o uso do whey protein

Diretora executiva da Brasnutri afirma que a alta do consumo de proteínas e a pressão sobre a oferta do soro do leite abrem espaço para blends e novas fontes

Insights
PorInsights|Há 2 meses
Atualizado em: 2 de setembro de 2026 às 13:47
Compartilhar
3 Minutos de Leitura
Especialista esclarece cinco mitos sobre o uso do whey protein

Imagem ilustrativa

Foto: Freepik

A proteína deixou de ser assunto restrito às academias e passou a ocupar espaço cada vez maior na alimentação cotidiana. O movimento é global e também forte no Brasil, onde a presença de alto teor proteico virou critério de escolha na hora da compra. Esse crescimento, porém, esbarra em um gargalo: a oferta de proteínas lácteas, especialmente do whey, não acompanha a velocidade da demanda.

Para a nutricionista Aline Goettert, diretora executiva da Associação Brasileira de Suplementos Alimentares (Brasnutri), entidade que reúne mais de 80 marcas do segmento, o cenário abre espaço para uma mudança de lógica no mercado.

"O futuro da suplementação proteica não necessariamente será whey versus proteína vegetal, mas a combinação inteligente de diferentes fontes, escolhidas de acordo com objetivo, perfil de aminoácidos, digestibilidade, custo e aplicação", afirma.

A partir desse contexto, ela aponta cinco ideias sobre o whey que, na avaliação da entidade, precisam ser revistas. Confira:

1. "Whey é a única proteína capaz de promover ganho de massa muscular"

Para Aline, esse é o principal mito a ser desconstruído. O whey é uma proteína de alta qualidade e segue com papel importante na nutrição esportiva, mas outras proteínas, quando adequadamente formuladas, podem apresentar resultados semelhantes.

2. "Proteína vegetal é necessariamente inferior"

Segundo a especialista, a qualidade de uma proteína não se define apenas pela origem, e sim pelo perfil de aminoácidos, pela digestibilidade e pela capacidade de fornecer os aminoácidos essenciais em quantidade adequada. As novas gerações de proteínas vegetais avançam justamente nesses pontos, com fontes como ervilha, arroz e fava. A combinação entre diferentes fontes vegetais pode complementar seus perfis de aminoácidos.

3. "É preciso escolher entre whey ou proteína vegetal"

A diretora da Brasnutri classifica a escolha como uma falsa dicotomia. Whey, soja e caseína têm velocidades diferentes de digestão: o whey é absorvido mais rápido, a soja ocupa posição intermediária e a caseína é mais lenta. Combiná-las pode prolongar a entrega de aminoácidos ao organismo. Nesse movimento, segundo ela, proteínas de colágeno também podem ocupar espaço complementar, sobretudo em produtos voltados a necessidades específicas.

4. "O crescimento do mercado é uma tendência passageira"

Aline avalia que o interesse por proteína aparece em diferentes faixas etárias e perfis de consumidores. Soma-se a isso o avanço dos medicamentos da classe GLP-1, usados no controle de peso, que aumentou a pressão sobre a cadeia de proteínas. Para ela, a proteína passou a ser uma questão de nutrição, envelhecimento saudável, performance, conveniência e composição corporal, e não apenas de musculação.

5. "Se falta whey, basta produzir mais whey"

A especialista lembra que o whey depende da disponibilidade de matéria-prima láctea e está sujeito à volatilidade da cadeia de produção. Por isso, a resposta da indústria tende a passar pela diversificação das fontes proteicas e pela engenharia de blends, e não pela simples substituição de uma proteína por outra.

O whey segue como referência de qualidade, mas a demanda crescente estimula a indústria a buscar novas soluções. Soja, ervilha, arroz e fava entram no cenário não apenas como alternativa de custo ou opção para vegetarianos e veganos, mas como ingredientes capazes de atender a diferentes estratégias de formulação, combinando velocidade de digestão, perfil de aminoácidos, concentração proteica, custo e sustentabilidade em um mesmo produto.

"Mais do que uma crise de oferta de whey, o mercado vive uma transformação na forma como pensamos proteína. A pergunta deixa de ser qual proteína vai substituir o whey e passa a ser qual combinação entrega a melhor solução para cada consumidor e cada necessidade. É nesse ponto que a próxima geração da suplementação começa a ser construída", conclui.

Produtos recomendados pelo Insights

Seleção editorial com itens que conversam com o tema desta matéria. Alguns links podem gerar comissão de afiliado, mas as indicações são feitas com base em critérios de qualidade e experiência de uso.