Ibovespa dispara e supera 200 mil pontos após reação do mercado ao 1º turno
Bolsa brasileira fechou em alta de 7,70% nesta segunda-feira (5), enquanto dólar caiu 4,12% e terminou o dia cotado a R$ 5

Imagem ilustrativa
Foto: Divulgação
O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte alta nesta segunda-feira (5), no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou aos 206.911,89 pontos, avanço de 7,70%, e atingiu durante o dia a máxima histórica de 209.605,70 pontos. Foi a primeira vez que o índice terminou um pregão acima dos 200 mil pontos.
O dólar também teve forte queda e encerrou o dia a R$ 5,001, recuo de cerca de 4,11%. O movimento veio acompanhado de uma forte valorização de ações de bancos, varejistas e outras empresas mais sensíveis às expectativas sobre juros e política econômica.
Segundo Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, ouvido pela Folha de S.Paulo, a composição do primeiro turno surpreendeu positivamente o mercado. Para ele, investidores já trabalhavam com uma perspectiva favorável para uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, mas não esperavam uma vantagem tão expressiva no primeiro turno, o que ajudou a explicar a reação imediata dos ativos.
A leitura dos analistas é que o mercado está reagindo principalmente às expectativas para a condução da economia. Uma eventual política fiscal considerada mais rigorosa poderia reduzir a percepção de risco e abrir espaço para uma trajetória de juros mais baixa no futuro.
É justamente nesse ponto que Luise Coutinho, head de Produtos e Alocação da HCI Advisors, faz uma ressalva. Em análise publicada pelo UOL, ela afirma que o mercado está antecipando uma melhora, mas que a continuidade da valorização dependerá dos próximos passos da disputa eleitoral e, principalmente, das propostas e medidas que forem efetivamente adotadas para buscar maior equilíbrio fiscal.
Bancos e varejo lideraram a alta
A disparada atingiu diversos setores. Entre os destaques do pregão estiveram Magazine Luiza, que avançou cerca de 24%, e BTG Pactual, que subiu mais de 22%. Petrobras também teve forte valorização, enquanto os índices ligados a consumo e ao setor financeiro registraram altas expressivas.
O movimento, porém, não foi igual para todas as empresas.
Companhias exportadoras, como Vale, Embraer e WEG, tiveram desempenho negativo. Segundo Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, ouvido pela Folha de S.Paulo, o fortalecimento do real diante do dólar reduz, quando convertido para a moeda brasileira, o valor das receitas obtidas por empresas que vendem produtos no exterior.
O que isso significa para quem não investe?
A movimentação da Bolsa não afeta apenas quem possui ações. A cotação do dólar influencia produtos e componentes importados, enquanto a trajetória dos juros pode ter impacto sobre empréstimos, financiamentos, investimentos e consumo.
Mas a alta desta segunda-feira não significa que esses efeitos já estejam acontecendo na economia real. O mercado está precificando expectativas sobre o futuro, e os próprios analistas ressaltam que a manutenção desse movimento dependerá das propostas apresentadas até o segundo turno e das medidas que forem efetivamente adotadas pelo próximo governo.
O segundo turno das eleições está marcado para 25 de outubro. Até lá, a tendência é que novas declarações e propostas econômicas dos candidatos continuem influenciando as expectativas dos investidores.
Produtos recomendados pelo Insights
Seleção editorial com itens que conversam com o tema desta matéria. Alguns links podem gerar comissão de afiliado, mas as indicações são feitas com base em critérios de qualidade e experiência de uso.



